Leptospirose Canina

A Leptospirose é uma doença causada por bactérias do género Leptospira e é considerada uma zoonose, isto é, uma doença potencialmente transmissível aos seres humanos. É corriqueiramente conhecida como a “doença da urina dos ratos”, uma vez que a principal fonte de contaminação nos animais ocorre, precisamente, através do contacto com urina de roedores. 

A doença clínica ocorre na grande maioria das espécies de mamíferos, incluindo cães, gatos e humanos. Os pequenos roedores funcionam como reservatório da bactéria Leptospira, podendo excretá-la, de forma contínua ou intermitente, na urina. 

Em Portugal, a doença ocorre com maior frequência na época da chuvas, sobretudo Outono e Inverno. 

A doença é contraída através do contacto direto com urina infetada com Leptospira, mas também através do solo, águas, alimentos ou outras superfícies contaminadas com urina de um animal infetado. As principais portas de entrada da bactéria são as mucosas (oral, conjuntival, etc.) e lesões cutâneas (feridas ou arranhadelas na pele, por exemplo). 

É uma doença que pode revelar-se de diagnóstico desafiante, uma vez que a apresentação clínica é muito diversa. Alguns animais desenvolvem doença subclínica, isto é, não manifestam sintomas exuberantes da doença. Podem apresentar sinais clínicos inespecíficos e que facilmente são atribuídos a outras causas. São sinais de alerta a presença de vómitos, fraqueza, letargia, febre alta, ingestão de muita água (polidipsia), excessiva produção de urina (poliúria) ou icterícia (pele e mucosas com coloração amarelada). 

Obtemos um diagnóstico definitivo da doença mediante a realização de diversos exames complementares, como análises de sangue, ecografia e pesquisa da bactéria na urina e/ou sangue. 

Devemos tratar a Leptospirose de forma imediata e agressiva, de modo a evitar a contínua disseminação da doença e prevenir lesões graves que podem ser irreversíveis. É uma doença que, não sendo tratada, é mortal. 

Felizmente, existe vacina contra a Leptospirose que é administrada, por protocolo, na primovacinação dos cachorros. Em regiões endémicas, a frequência da vacinação deverá ser aumentada. A vacinação não evita por completo que o animal possa ser infetado e adoecer, devido ao facto de existem múltiplas “subespécies” de Leptospira; , mas previne o aparecimento de doença grave. Prevenir é sempre o melhor remédio!